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DDinis
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« em: 23 de Setembro 2007, 18:18:50 »

Na outra margem Lurdes

Na outra margem…

À margem de ti

Sem sal semeado no meu rosto

Sem memórias de súbitos esquecimentos

Sem lembranças indeléveis

Sem estradas ou marés impercorríveis


Vais no teu sereno e inconstante caminhar

Sem margens de mim e de ti

Dimensionas o rio como oceano

Afastas o horizonte da linha do meu olhar


Sem margens Lurdes

Sem margem para acostar

Sem margem para coisa nenhuma

Na margem de nenhures


Eu nunca regressei à tua margem

E era de papel e de brinquedo de menino o meu navio

E tudo era a sublime ignorância nas águas que nos moviam

E o navio era o baptismo do nosso amor


Ignoro agora qual o navio que aporta no teu cais

E já nem sei dos olhos que transbordam em outras margens

E só cuido de saber-te na margem da liberdade

Na rosa e no fruto

Na margem das fragrâncias ardentes da fome vermelha
Olvido as pontes que se possam percorrer

Refuto as margens sem rio de regresso

Conto margens

Em rios me liquefaço

E nem sei jamais

Por quantas margens se marginaliza o amor


Dionísio Dinis


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