para aqueles que já partiram
sento-me e escrevo
sem encontrar algo que dizer.
a tinta na caneta
que escorria livremente antes,
recusou-se agora a jogar.
não encontro o prazer
no meu versejar,
está agora temperado com lágrimas.
a magía que era a rima
definhou com o passar dos anos.
foram tantos os que amei,
embora alguns nunca conhecidos.
em cada seu passamento
leváram-me com eles também.
vezes sem conta fiquei em pé sozinho
o corpo ido mas não esquecido.
agora foste-te também
que a paz esteja contigo
e com todas as irmãs e os irmãos.
esperem por mim junto às águas
até que a vós me una e aos outros.
sem ser lamecha, neste último dia de 2005, proponho para reflexão um dos muitos poemas e escritos dos condenados à morte em prisões dos USA, ( in God we trust ) coisa feia, esta de condenar à morte... anseio pelo dia em que tal como a escravatura, esta abominável prática seja abolida, pois o arrependimento é a salvação e deve ser tido em conta, pois todas as coisas perdidas estão algures à espera de serem encontradas.